pub-5468756460556452
 

Rivalidade, bom futebol, emoção, taça e freguesia em Brasília

POR - MARCELLO COHEN

Muito se pode discutir sobre Recopas. A Sul-Americana, mais tradicional, e a novata Supercopa do Brasil são bons temas para debates. Agora é inegável o tamanho que o confronto entre Flamengo x Palmeiras do último domingo, em Brasília, ganhou. Desde 2016, eles brigam por tudo quanto é taça. Não são poucos os encontros. Em 2016 e 18, no Brasileiro, melhor para os Paulistas. O Flamengo ainda tinha muito para evoluir. Já a partir de 2019, o que se viu foi um reinado da dupla.

As administrações dão resultado há tempos. É cada vez mais evidente que amadorismo não dá mais resultado. Ambos passavam por anos de muitas dificuldades, mas sofreram processos de recuperação sem dar margem para quedas. O Palmeiras segue muito regular de 2015 para frente. Frutos da dupla Paulo Nobre e Crefisa. Já no Flamengo, os acontecimentos pós-2013 permitiram investimentos fortes de final de 2015, começo de 2016 para frente. Se até 2018, mesmo presente em muitas das disputas, sobrava mais odor do que taça...isso estava para mudar em 2019. Com ajustes em escolhas e ambiente, conquistas se acumulam.

A dupla simplesmente dividiu cinco das seis taças mais importantes em disputa nos últimos dois anos. Algo completamente fora da curva. É hoje a maior rivalidade do Futebol Brasileiro. Sempre foi enorme, mas agora é quase polarização. Com a má fase de anos dos três rivais locais, acabou que o confronto com o Palmeiras virou o principal evento do calendário rubro-negro. Agora algo inédito nessa era acontecia em Brasília. A primeira disputa, em confronto direto de 90 minutos, por uma taça. A tal Supercopa simplesmente cresceu 50x em importância com isso. E o jogo entregou tudo que prometeu.

Foi a melhor partida do Palmeiras em tempos. Deixou de lado, por muitas vezes, um estilo reativo. Propôs jogo, pressionou o adversário, criou oportunidades. A marcação forte na saída de bola deu resultado de cara, com falha da defesa do Flamengo e placar aberto em belo drible. O Flamengo oscilou muito. Criou oportunidades, chegou a cansar, teve atuações individuais boas e ruins...mas tem muita coisa positiva para destacar. O placar inicial oferecia ao adversário cenário muito interessante. Mesmo assim, o time teve poder de reação e buscou uma virada já no primeiro tempo. Com destaques para Filipe Luís e Arrascaeta, o time soube se impor em cenário muito desfavorável.

Cansou na segunda etapa, não administrou tão bem o resultado e em mais falhas cedeu empate. Com isso, pênaltis. As sempre polêmicas mudanças de Rogério, dessa vez muito mais forçadas por desgastes dos atletas, não renderam resultados e deixaram importantes batedores de fora da decisão. Dos cinco, apenas dois transmitiam total segurança ao torcedor – Arrascaeta e Gabigol. E não falharam. Filipe Luís sofre duro castigo, e o garoto Matheuzinho, de forma previsível, também não converte. Com um cenário trágico de três chances para o rival fechar, o Flamengo se recuperou. Diego Alves mostra seu tamanho em defesa e catimba. Consegue o impossível. Já Vitinho, depois de matar alguns do coração, também faz bem sua parte. Gabigol trouxe a segurança necessária. Dali para frente, numa cardíaca disputa alternada, deu Flamengo.

Muitas conclusões ficam. A certeza de que ambos os times são muito fortes em todas as disputas de 2021. De que o Flamengo, mesmo no caminho certo, precisa evoluir. O ousado esquema se mostrou por vezes muito exposto para jogos com essa característica. Ajustes aqui e ali são fundamentais. Agora fica a certeza de que a rivalidade só aumenta – em campo e fora dele. E, principalmente, de que vivemos uma era especial.

O Flamengo acumula dois cariocas, duas Supercopas do Brasil, Uma Recopa Sul-Americana, dois Brasileiros e uma Libertadores desde 2019. É assustador! Mais que isso, leva vantagem na polarização com o Palmeiras. São sete jogos sem perder, com três vitórias e um dos empates valendo taça. Além de dois treinadores adversários demitidos depois de derrotas. Não é exagero falar em freguesia recente. A briga fora de campo, as muitas provocações ao longo dos anos e toda essa disputa por títulos só agiganta uma rivalidade. O futebol mudou, e as fronteiras estaduais são pequenas. Em mais um importante capítulo, o Flamengo leva a melhor.