pub-5468756460556452 Maracanã e estádios pelo Brasil | R37 Select

Maracanã e estádios pelo Brasil:

quem está saindo no lucro?

27/06/2019 - por R37 Intersect

Quase toda semana vemos o assunto Maracanã em pauta. Com a nova administração conjunta de Flamengo e Fluminense muitos torcedores criaram a esperança do estádio, finalmente, virar um negócio lucrativo. Afinal de contas, nesse pouco tempo de gestão, a dupla já conseguiu reduzir os custos operacionais do “maior do mundo”? E os outros estádios pelo Brasil, tem um custo muito diferente? Para responder essas questões, o R37 analisou o borderô de todas as partidas do Brasileirão 2019. Vamos ao resultado:

Saldo financeiro dos estádios

(Brasileirão 2019)

Estádio

Público pagante

(médio)

Despesa por partida

(média)

Saldo financeiro

Maracanã

50.483

  R$ 1.205.780

R$ 1.498.915

 R$ 668.609

24.412

Maracanã

Allianz Parque

31.821

R$ 684.209

R$ 5.074.073

Arena Corinthians

35.393

R$ 601.030

R$ 3.245.737

Morumbi

36.641

R$ 467.444

R$ 3.793.759

Vila Belmiro

10.236

R$ 172.149

R$ 721.203

Mineirão

 21.261

R$ 319.370

- R$ 126.820

Rei Pelé

  11.695

  R$ 100.426

  R$ 703.874

14.644

R$ 469.940

- R$ 216.691

Independência

14.506

  R$ 243.966

R$ 172.646

Beira-Rio

23.644

R$ 278.601

R$ 3.296.721

Arena Grêmio

18.141

R$ 158.283

R$ 1.606.905

Arena da Baixada

13.195

R$ 154.914

R$ 128.542

Fonte Nova

23.221

  R$ 278.083

R$ 593.005

Castelão

27.195

R$ 247.232

R$ 462.293

Castelão

  22.649

  R$ 233.803

R$ 214.585

Arena Condá

7.660

R$ 104.415

R$ 458.480

Ressacada

7.665

R$ 117.857

R$ 532.891

Serra Dourada

 14.742

R$ 121.134

R$ 861.037

São Januário

12.825

R$ 298.878

- R$ 43.488

Nilton Santos

- R$ 85.716

Ao olhar a imagem, nossa primeira impressão não foge muito da rotina dos últimos anos do futebol brasileiro: Palmeiras sendo a equipe que tem mais lucro com seu estádio e o Maracanã sendo o palco mais custoso do Brasil. Mas, antes de explorarmos a questão da casa da dupla Fla-Flu, podemos observar outras coisas interessantes.

 

Ainda no Rio de Janeiro, impressiona também o alto custo do estádio Nilton Santos. Mesmo tendo sua própria casa, o Botafogo é a equipe que tem, após 9 rodadas, o maior prejuízo atuando em seus domínios. 

Mesmo com lucro no aspecto geral, a questão do Castelão para Fortaleza e Ceará chama a atenção: com um custo operacional baixo e boas médias de público, o Vozão só saiu no lucro em uma partida (contra o Santos) e o Fortaleza em duas (contra Vasco e São Paulo).

 

De positivo também podemos ressaltar o baixo custo das arenas gaúchas. Mesmo sendo estádios de grande capacidade e com o tal padrão FIFA, Grêmio e Internacional não perdem muito de suas receitas com taxas e os custos operacionais de suas casas.

 

E O MARACANÃ?

 

Vendo os altos custos do Maracanã, é impossível fugir a um questionamento: desde que assumiram a gestão do estádio, Flamengo e Fluminense conseguiram diminuir os custos operacionais nos dias dos jogos? Vamos a resposta:

Antes de analisarmos os números, vamos a uma explicação importante: este aluguel de R$ 90.000 que a dupla paga vai para um fundo, administrado pelos dois clubes, que serve para pagar custos extraordinários e a manutenção mensal do estádio. por mais que o valor não seja necessariamente um custo, ele também não entra diretamente nos cofres de Flamengo e Fluminense. Outra explicação importante é a causa da diferença significativa de custos entre uma partida do rubro-negro e uma do tricolor. Como o clube da Gávea tem uma média de público maior, os custos tendem a ser de uma magnitude diferente. Quanto mais pessoas você recebe no estádio, mais se gasta para realizar o espetáculo.

 

Considerando isso, chegamos a conclusão que, na prática, os dois clubes ainda não conseguiram reduzir de maneira significativa os custos com o Maracanã. Ao olhar de maneira rápida, a primeira impressão que fica (principalmente para a torcida tricolor) é que o saldo final melhorou, mas o fator calendário e, principalmente, a média de público tem que ser levados em consideração. Os 11 jogos do Fluminense antes de assumir a gestão foram, em sua maioria, pelo campeonato estadual, resultando em uma baixa média de público. Com o início do Brasileirão e com jogos mais atrativos da Copa do Brasil e Sul-Americana, as médias dos dois clubes subiu, ajudando na melhora do saldo financeiro final.

 

Apesar disso tudo, existe um detalhe que não entra nesta conta mas que ajuda os cofres dos dois clubes: as receitas com os bares dentro do estádio. Por mais que não se divulgue nos borderôs, as receitas provenientes do consumo interno no Maracanã agora passam a entrar 100% nos bolsos de Flamengo e Fluminense. Até hoje não se sabe ao certo qual o tamanho desse lucro, mas com certeza não é algo que seja desprezado.

 

Mas, afinal de contas, de onde vem tanto custo com o Maracanã? Para ajudar a entender melhor essa conta, dissecamos os principais custos com o estádio no ano de 2019:

Ao ver essas imagens, percebemos de maneira mais clara o que mudou para os dois clubes após assumir a gestão do estádio. Para o Flamengo, o único ganho prático foi na redução do aluguel do Maracanã, já para o tricolor os custos se mantiveram semelhantes.

 

Um detalhe interessante é a mudança na apresentação no borderô das partidas. Se antes alguns custos como infraestrutura e consumo (Flamengo) e aluguel de grades e catracas (Fluminense) vinham detalhados, agora aparecem englobados no item “custo operacional”.

 

Chama a atenção o alto custo que Flamengo e Fluminense tem com a confecção de ingressos. Com uma média um pouco inferior a 25 mil pessoas o tricolor tem um gasto superior a R$ 45.000 por jogo com este item. Para se ter uma ideia, a partida entre Fortaleza e São Paulo, que recebeu um público de 42.955 pessoas, teve R$ 16.867 de gasto com confecção de ingressos e controle de acesso. Para não ficarmos em só um exemplo, o jogo entre Internacional e Flamengo precisou de R$ 18.818 para atender um público de 37.001 torcedores.

 

Olhando os números do Flamengo, também salta aos olhos o grande custo com camarotes. Nesse caso, o aumento significativo muito se deu ao altíssimo gasto com este item no confronto da Copa do Brasil contra o Corinthians. Só nesta partida, o rubro-negro precisou de R$ 434.400 para atender o público dos camarotes. A nível de comparação, na partida contra o Penarol (que teve cerca de 6 mil torcedores a mais) o clube da Gávea gastou R$ 149.800 com o setor mais nobre do Maracanã.

 

Se este cenário não mudar, a tendência para o Flamengo é que, mesmo abaixo de seu potencial, continue tendo lucros com o estádio. Já para o Fluminense o cenário é mais preocupante. Se com esta média de mais 24.000 torcedores o estádio não passar a ser rentável, dificilmente o tricolor vai conseguir fugir do prejuízo atuando em casa.

 

Para os dois clubes fica a esperança de que a gestão do estádio veio de maneira inesperada e ainda não tiveram tempo de reduzir os custos de operação. Agora, com a pausa para a Copa América, já terá passado um tempo razoável para as torcidas poderem cobrar isso de suas diretorias.

Fale Conosco

StoryTelling
Quem Somos

Preços e Planos

Arbitral

vila musical.png
Site desenvolvido por R37 Voicers