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FLAMENGUISTA, APROVEITE O MOMENTO

POR - MARCELLO COHEN

É importante reforçar. O Flamengo passa por um momento que só não se iguala à década de 80. Até pode igualar taças, algo hoje até provável, mas o nível daquele time está na primeira prateleira da história do futebol. Outra realidade, impossível trazer para o presente. Isso posto, o que está acontecendo, definitivamente, não é normal. Um apelo de Rubro-Negro: não espere os anos passarem, uma fase ruim chegar, para valorizar com saudosismo o que está acontecendo.

Até no muitas vezes - e com razão - apequenado Estadual, a Geração de Ouro do presente na Gávea mostra força. Um Tri Estadual sempre é digno de nota. É o sexto em nossa história. Desses seis, acompanhei três como torcedor. Entre 1999 e 2001, um time de altos e baixos. Conquistou de forma brilhante a Copa Mercosul de 99, chegou à final de 2001 e levantou a taça da Copa dos Campeões de 2001 – torneio que reunia grandes equipes e dava vaga para a Libertadores. Ainda assim, sofria com desmandos, atrasos, caos interno e campanhas muito ruins em Brasileiros. As três Taças contra um dos maiores times do Vasco na história lavaram a alma – especialmente pelo contexto épico do gol de falta de Petkovic.

Já entre 2007 e 2009, foi um retrato de época boa no clube. Depois de conquistar a Copa do Brasil de 2006, o Flamengo se acostumou a brigar na parte de cima da tabela do Brasileiro. Com retoques inegáveis de vexames em Libertadores e derrotas aqui e ali, é época para ser lembrada com carinho. Mesmo com atrasos e falta de estrutura, os times tinham qualidades e brigavam. Teve seu auge com o Título Brasileiro. Nos Estaduais, três conquistas em finais dramáticas contra um forte Botafogo. Perfis radicalmente diferentes do atual.

A verdade é que nunca foi tão fácil ser Tri Estadual. Nunca ficou tão evidente uma disparidade e distanciamento em relação aos rivais locais. Algo outrora enorme veio com naturalidade assustadora entre dois Brasileiros, uma Libertadores e outras conquistas para além das fronteiras do Rio de Janeiro. Finais de imposição e sem grandes sustos até levantar taças. Pode não parecer, mas se distanciar assim dos rivais locais, distantes de qualquer outra briga por títulos, mostra muita coisa em relação ao que é o Flamengo entre 2019 e 2021.

Meus amigos, esses caras são ídolos da primeira prateleira do Flamengo. Nada menos que isso. Gabriel Barbosa é uma entidade, tem uma trajetória imensurável no clube. Brincou, mais uma vez, de fazer gols que valem taças. Arrascaeta e Bruno Henrique não ficam por menos. Arão, Diego, Everton Ribeiro, Filipe Luís, Diego Alves, Gerson, Rodrigo Caio...enfim. Todos esses caras, sem exceção, são ídolos enormes. Devemos sim cobrar o que podem entregar. Especialmente na preocupante e sempre vazada defesa atual. Agora não podemos, nem por um segundo, pensar em rompantes dos esquadrões de Lula Pereira em 2002, Silas em 2010 ou Ney Franco em 2014. Estamos diante de um Flamengo histórico e que segue fazendo história a cada capítulo.