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FLAMENGO USA BEM O ESTADUAL

POR - MARCELLO COHEN

Sim, é desafiador transformar o pitoresco Campeonato Carioca de 2021 em algo interessante para um clube com as pretensões do Flamengo. Vale para o torcedor e profissionais do clube. O certame é colado no Brasileiro recém conquistado, disputado diante da melancólica arquibancada vazia, com impossibilidade de uso de jogadores titulares e até a transmissão – com câmeras toscas, não divulgação nacional, um surreal segundo pay per view e outros detalhes conseguem dar ainda mais combustível ao desinteresse, já natural, causado por predomínio de times muito fracos em datas intermináveis.

Com tudo isso, o Flamengo faz do Estadual seu único uso possível. E faz muito bem. Com farto elenco e opções muito acima da média, o auxiliar Mauricio Souza dispõe de interessante 1 a 11 para tirar proveito. Muitos jogadores da base, fundamentais em diversos momentos de 2020, agora tem protagonismo para, cada vez mais, fortalecer seus nomes. Hugo Moura, João Gomes, Matheuzinho, Ramon e Rodrigo Muniz são alguns dos que, a cada jogo, se mostram ótimas alternativas para o time de Rogério Ceni em 2021.

Existem também os contestados. Não faz o menor sentido botar Gabigol, Bruno Henrique, Arrascaeta, Arão e demais titulares absolutos para jogar agora. Já Vitinho, Renê, Michael, Leo Pereira e o recém-chegado Bruno Viana precisam muito mostrar serviço. E, com ressalvas aqui e ali, estão mostrando ao menos evolução. O clássico contra o Botafogo foi gratificante entretenimento para o torcedor e de ótimo proveito para jogadores e comissão técnica. Bruno Viana já se mostra uma grande contratação. Teve atuação de manual. Os seus companheiros, justamente criticados muitas vezes, ganham a confiança necessária para prosseguimento da temporada. Os garotos só se firmam.

Ainda assim, regularidade não foi exatamente o forte. O time alternativo rendeu em certos momentos, mas se despediu com empate melancólico contra o Boa Vista. Uma atuação pobre de alternativas e pior do que muitos jogos anteriores. Não sabemos até que ponto a estrutura limitada do estádio em Bacaxa contribuiu para tal. Ainda assim, o foco sobre Michael e Vitinho é inevitável. São atletas com justa birra da torcida e ainda muito irregulares. O valor gasto neles exige retorno maior, mas Michael pode falar que tirou proveito da chance. Deu assistências seguidas, buscou jogo e, ainda que muito distante do que se espera, pode dizer que evoluiu. Já Vitinho, segue assustando com sua irregularidade dentro de um mesmo jogo. Especialmente com convocações em vista e desfalques como Arrascaeta e Everton Ribeiro, eles precisam dar resposta – já que o clube não indica estar indo forte ao mercado.   

O atacante Rodrigo Muniz é outro caso à parte. Depois de atuações nulas em jogos importantes de Brasileiro, onde Ceni o colocou em verdadeiras frias de posição e momento, ele tem agora a oportunidade de tirar a má impressão deixada. E faz isso muito bem! Como homem de referência, se mostra totalmente capaz de ajudar o Flamengo quando preciso for. Disputar posição com Pedro e Gabigol não é nada simples, mas certamente ele será importante para o elenco.

O clube tem o desafio de evoluir e seguir conquistando taças em torneios cada vez mais disputados. Para tal, nomes que estão jogando o Carioca são muito importantes. Com orçamento mais apertado, sem grandes contratações no radar e possíveis vendas, o atual elenco precisa mostrar sua força em nomes por posição. Muita coisa ainda está para acontecer. A primeira enorme taça, com o seu rival maior recente Palmeiras, já bate na porta do bizarro e apertado calendário. Mas o inútil Carioca até se mostra útil e, de certa forma, proveitoso para o Flamengo.