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BRASILEIRO NÃO DESISTE DE TER FLAMENGO COMO OCTA

POR - MARCELLO COHEN

Estamos vivendo uma temporada distante de tudo que possa ser considerado normal no futebol mundial. A soma de adaptações no calendário, vazio nas arquibancadas, desfalques pela Covid, remarcações de jogos e queda brusca de arrecadação afetam diretamente os rumos de campeonatos mundo afora. Na América Latina, isso fica ainda mais claro. A coisa como um todo anda nivelada por baixo. Estilos de jogo mais pragmáticos estão levando vantagem.

          Diante disso, vamos falar do que vem sendo o Flamengo no presente. Foram muitas as intercorrências, que serão melhor exploradas em análise da temporada ao seu fim por aqui, que atingiram o time dos sonhos que vimos em 2019. A queda é muito acima do que podemos considerar razoável. Mesmo com toda a facilidade do mundo para chegar até as taças, o Flamengo fez questão de dificultar isso ao máximo.

          Na Copa do Brasil e Libertadores, já podemos considerar retumbantes fracassos/vexames. Ter que assistir à final do dia 30 de janeiro no Maracanã foi requinte de crueldade para todos nós rubro-negros. Isso reforçado pela campanha do Palmeiras no Mundial. No Brasileiro, a coisa não é tão diferente assim. O time que deveria se impor, em comparação de elenco e futebol apresentado pelos concorrentes, não conseguiu fazer isso em muitos dos jogos. Não são poucos os pontos absurdos em atuações pavorosas deixados pelo caminho. Ainda assim, parecemos estar diante de uma tardia reação.

          Rogério Ceni chegou com duas eliminações em pouco tempo. Tendo semanas de treino para arrumar a casa, cenário dos sonhos para qualquer treinador, parecia não conseguir. O time não evoluía. Mudanças e escolhas absurdas resultavam em empates e derrotas. Chances de assumir a ponta eram isoladas para lateral. Assim, em sequência surpreendente, o Inter de Abel pulou o baixo muro até a ponta da tabela. Com seu feijão com arroz, tempero interessante no atual contexto, se colocou no favoritismo. Agora, ao apagar das luzes, o Flamengo decidiu jogar futebol e se colocar forte na disputa direta.

          Desde o jogo contra o Palmeiras, em que pese o show de horrores de Rogério Ceni contra o Athletico PR e detalhes preciosos contra o Bragantino, o time convence a cada partida. Dois adversários diretos derrotados, vitória de imposição no clássico, caminhão por cima do fraco Sport e vitória suada num sempre complicado confronto com o Corinthians. Em muitos momentos, vimos, enfim, aquele futebol que todos sabemos que esses caras podem apresentar. Escolhas mais coerentes em mudanças e escalações. Até surpreendentes melhoras, como de Gustavo Henrique, estão nessa soma. O time voltou a render como um todo.

          O fato é que o Flamengo volta a depender de si para chegar ao seu oitavo título Brasileiro. Diante de um Atlético MG surrealmente irregular, Grêmio quase tanto quanto, Palmeiras pagando caro pelo prejuízo de Luxemburgo e São Paulo covarde na hora de impor folgada liderança, sobraram dois candidatos. Um time de elenco forte, estilo de jogo ofensivo e que demonstra recuperação de boa parte do que é capaz de render. Outro que foi ganhando aos poucos, e quando viu, estava diante de impressionante arrancada para a ponta. O feijão com arroz contra a riqueza que tardou a dar suas caras. Com a receita caseira simples do Inter em evidente desgaste, o Flamengo agora tem a faca e o queijo na mão para ter a bondade de ser campeão. Tudo isso será posto à prova num confronto direto com cara de final à moda antiga. Esse é o cenário do primeiro campeonato desde 2011 a apresentar uma real disputa até o fim pela taça. Nivelado por baixo, infelizmente, mas ainda assim emocionante.