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COPA AMÉRICA EXTRA NEM DEVERIA EXISTIR!

POR - MARCELLO COHEN

Sim, nesse texto específico, o título já resume todo o debate que deveria existir. Num mundo ideal, os clubes deveriam pressionar a CBF já no antigo normal. A Copa América extra é uma bizarrice caça-níquel no nascimento. A Competição regular, do Calendário de Torneios de Seleções, aconteceu em 2019 no Brasil. Realizar em anos consecutivos, ideia inicial, é um projeto que apresenta, sem rodeios, todo o lado podre do futebol.

Óbvio que tudo piora em cenário de pandemia. Muitos não perderam tempo em tentar comparar com o Futebol de Clubes e Eliminatórias da Copa. O debate é muito mais simples do que parece. Cenário ideal era estar tudo parado. Para a realidade Sul-Americana, é o que temos. Países como Inglaterra, Portugal, EUA, Austrália e tantos outros já oferecem arenas cheias. Infelizmente, o Brasil não está nessa lista. Qualquer atividade da porta da casa para fora oferece riscos.

Agora a questão é evidente. Quarentena eterna causa falência e um ano e meio é muita coisa. Para todo tipo de negócio, a interrupção tem que ser radical, mas estratégica, para contornar a crise de leitos e preparar o Sistema de Saúde. Diante disso, as competições voltaram mundo afora. Tentando diminuir riscos, mas sabendo que os envolvidos estariam expostos. Era isso ou ver o negócio futebol ser inviável para qualquer funcionário que trabalha na área. Não dá para medir o que seria um sustento de atividades para clubes como Avaí, Sampaio Corrêa, Fortaleza e Juventude – só para citar alguns de Séries A e B. Não demorou para começar a roleta russa – já que cuidados mínimos não foram tomados. Entre personagens da bola, quem ainda não foi infectado pode se considerar privilegiado. Não são poucos os surtos em clubes e escalações bizarras causadas pelo Vírus. Só para ficar no 1% de celebridades, Cuca e Renato Gaúcho são dois que passaram poucas e boas depois de positivarem. Certamente as estatísticas de todo o Futebol no Brasil são terríveis. Agora existe o mínimo de argumento plausível na tentativa de tocar o barco com o calendário.

Aqui, não existe justificativa. No campo, é uma bizarrice fora de ciclo que só serve para atrapalhar os clubes. Nas finanças, estamos falando de Confederações que desconhecem qualquer tipo de perrengue financeiro. Não tem nenhum time médio ou pequeno precisando pagar as contas. Das vantagens para sedes, o cenário de pandemia só consegue apresentar problemas. Os discípulos de Rica Perrone podem tentar, mas não têm nenhuma base sólida para achar razoável tal realização.

São evidentes as multiplicações de riscos por tamanho de deslocamento. A Libertadores não tentou contornar problemas nos moldes da Champions, e viu exposição absurda em viagens continentais. Muita coisa pode ser debatida sobre viabilidade, mas nada comparado a um Torneio que já nasceu puramente caça-níquel. Tudo fica pior com o cenário político. O Governo Brasileiro é praticamente réu de CPI por sua atuação na pandemia. A pressa em aceitar ser sede, desproporcional à indiferença que o representante da Pfizer sofreu por ocupação presidencial em resenha com o cantor Amado Batista, acaba sendo um tapa na nossa cara. A recusa de Argentina e Colômbia são agravantes. Tudo isso compõe um copo muito desagradável para algo que é insano pelo simples fato de existir.