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CONSEGUIRAM - OS ESTADUAIS CHEGARAM AO FUNDO DO POÇO

POR - MARCELLO COHEN

É um processo longo. Os Campeonatos Estaduais vêm sendo mortos ano após ano. Antes de mais nada, nunca é demais reforçar o tamanho da relevância histórica dos mesmos e memória afetiva que toda torcida tem com algum título específico. Fora a rivalidade local, sempre pronta para proporcionar algo.  Isso posto, não dá para seguir achando que sustenta tudo que vem acontecendo. O maior problema do futebol brasileiro, além de diretorias amadoras e se nivelar por baixo muitas vezes pelos trabalhos arcaicos de muitos treinadores, se concentra no calendário. E o maior vilão é evidente.

Para falar em Rio de Janeiro, a coisa começou a complicar a partir de 2008. Antes, existia uma fórmula com menos clubes, mando de campo efetivo e maior disputa pelo tiro curto. Depois, aumentaram os clubes, a duração de fases iniciais e ninguém mais mandava jogo em seu estádio – era tudo concentrado nos três estádios da capital e, se muito, Volta Redonda e Macaé. Ai a paciência do torcedor começou a ser testada. Ainda houve vida com a rivalidade Flamengo x Botafogo entre os anos de 2007 e 2010. As decisões faziam esquecer do começo. Depois disso, foi ladeira abaixo.

               

O auge chegou em 2017. A fórmula de turnos, que salvava minimamente o campeonato, virou uma bizarrice. Conseguiram criar semifinal e final de turno que não valiam absolutamente nada. Independentemente do resultado em campo, teria ainda semifinal geral com confrontos já definidos. Sim, para quem não lembra, podia dar A ou B como campeão da Taça Rio. Nada mudaria o confronto AxD e BxC na semifinal geral. Até a vantagem do empate estava certa. Mesmo mudando essa loucura, o atual calendário não permitia chance de vida para um campeonato tão longo e de tão baixo nível técnico.

               

O futebol brasileiro do presente valoriza muito três títulos. Copa do Brasil, Libertadores e Campeonato Brasileiro. Qualquer clube com maior investimento tem como meta ganhar ao menos uma dessas três taças. Se ganhar estadual e ficar no cheirinho nelas, seu ano foi um fracasso. E seu curso é semelhante. Duração esticada e decisão nos últimos três meses do ano. Ou seja, não tem mais cabimento tomar de janeiro a abril com um campeonato onde 80% dos jogos são para inglês ver. A conta chega em sequência de decisão duas vezes por semana e impossibilidade de parar campeonato em data Fifa – o que só existe por aqui... O estadual compromete o calendário e toda a temporada. É simples assim. Quer exemplo? O Flamengo de Jorge Jesus só chegou em outro patamar quando teve duas semanas sem jogo no meio. Qual o motivo? A eliminação da Copa do Brasil. É assim que funciona.

               

Se em tempos normais já é desesperador, imagina em pandemia? Um calendário que não permite nenhuma mudança pode encarar os meses de interrupção? NÃO! Ao menos em 2021, os estaduais teriam que sofrer enorme corte – para não falar em não acontecer. Mas não, preferiram chutar para a arquibancada férias e pré-temporada. Com isso, a bizarrice de colar Brasileiro neles. O que veremos é qualquer time que leva seu ano minimamente a sério colocar a base em campo. Mesmo assim, teremos prejuízo.

               

Como fazer para agradar românticos, times menores e quem não quer ver seu time prejudicado pelo calendário? É simples! Faz um campeonato muito mais curto, com os melhores pequenos em, se muito, um mês de duração. Coloca os menores para jogar mais ao longo do ano. Fases preliminares de estadual, séries E,F......até Z de Brasileiro. É só ter vontade, mas infelizmente, uma politicagem de eleição em CBF e federações amarra uma fórmula suicida para o futebol brasileiro. Enquanto isso, nada muda e os estaduais em tempos de pandemia, finalmente, chegaram onde tanto sonharam. O fundo do poço!

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