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AINDA EM OUTRO PATAMAR

POR - MARCELLO COHEN

O papo aqui é de torcedor para torcedor. Assim sendo, já dou a todos vocês minhas saudações Rubro-Negras. Em tal posição, você sabe mais do que ninguém o que foi 2019 na nossa história. Já fora do calor do momento, dá para ter certeza de que aquele não se trata de um ano convencional. Dos nossos 125 últimos, vejo apenas abaixo de 1981. Nós vamos contar para gerações futuras que vimos um dos, se muito, três jogos mais espetaculares da história do Flamengo. Roberto Assaf, uma das maiores autoridades no assunto, defendeu tal tese em conversa comigo - que foi ao ar no Resenha 37 recentemente. Além disso, você também vai lembrar que comemorou um Título Brasileiro de ressaca do Título da Libertadores – seja em Lima, no avião, na Presidente Vargas ou em qualquer buraco desse planeta. Fora inúmeras atuações de gala, e cada uma à sua maneira, históricas.

E chega ao fim o ano de 2020 do Flamengo. O desafio de dar sequência a tudo isso veio cheio de imprevistos. Pandemia, saída de um dos nossos três maiores treinadores num momento delicado e mudanças pontuais no elenco alteraram um filme que, até março, parecia se repetir. A queda foi inegável, de longa e complicada análise. Agora igualmente indiscutível é a maneira como o futebol brasileiro e sul-americano trataram de deixar claro como o Flamengo segue sendo muito superior aos adversários.

               

Entretanto, isso não foi o suficiente para evitar fracassos. Na Copa do Brasil e Libertadores, o Flamengo simplesmente abriu mão das taças. Não demonstrou sua superioridade em confrontos, caiu e teve que ver voltas olímpicas de times inferiores. Ainda assim, com todos os méritos, aproveitaram o caminho aberto. Agora temos que ser francos no capítulo vencedor do ano de 2020. Um dia depois de fazer a devida festa, ao lado de 40 milhões de pessoas, tentarei a difícil tarefa de separar o lado torcedor de quem tenta entender melhor o que acontece nas quatro linhas.

 

O fato é que não existiu adversário para o Flamengo no Campeonato Brasileiro. Sim, é simples assim! O maior obstáculo foi o próprio Flamengo. Entre as goleadas que Domènec Torrent colecionou, e sua falta de capacidade de montar uma defesa, e algumas atuações pavorosas sob o comando de Rogério Ceni, parecia que iríamos chutar para a arquibancada vazia a chance de levantar mais uma taça importantíssima para nossa história. O esforço para não ser campeão perdendo dois jogos para o Ceará, fazendo um ponto em seis contra o Atlético-GO, empatando em atuação sofrível com o Fortaleza, perdendo de maneira vergonhosa para Fluminense e Athletico-PR, no último jogo contra o São Paulo e em tantos outros momentos foi evidente. Essas lições precisam ser aprendidas.

 

Agora é fato que, em certos jogos, deu para ver que eram aqueles mesmos caras em campo. Especialmente na reta final, onde existiu de fato uma sequência muito mais positiva do que negativa. Jogos com escolhas muito mais felizes de Ceni do que erros. Ousadias que foram positivas e renderam em campo. E sim, isso aconteceu na hora certa. Ainda assim, essa conquista, que merece demais ser comemorada, seria muito difícil se encontrássemos adversários fortes. Na prática, eu não salvo nenhum.

 

O Inter foi quem mais se aproximou. Com um jogo reativo, única maneira que Abel Braga sabe montar um time, conquistou uma sequência enorme de vitórias. Agora foi perder o primeiro ponto para o arroz com feijão ser insuficiente. Bastava dar a bola e pedir para propor o jogo. Dali não saía nada, e pontos ficavam pelo caminho. A atuação no contra-ataque contra o Corinthians, com as características do jogo, é uma vergonha! Até em vitórias, como Bragantino e Vasco, o namoro com empate e derrotas era evidente. Teria que ser um cenário muito pobre para isso aí bastar num Título Brasileiro. Felizmente, o Flamengo não deixou ser assim.

 

Já São Paulo, Palmeiras, Atlético-MG e Grêmio foram ainda piores. Cada um na sua, simplesmente não conseguiram se impor. O Flamengo fez questão de deixar o muro baixo até o final. A última partida é retrato do que foi boa parte do campeonato. Esforço inacreditável para perder a taça. Ainda assim, a mediocridade dos adversários foi maior. O rubro-negro conquista seu oitavo Brasileiro, sendo segundo seguido. Isso é algo enorme! Merecemos comemorar muito! Agora comemorar sabendo que existe muita coisa para corrigir. Acho improvável que um Atlético MG reforçado por Nacho Fernandez e Huck não eleve em muito a exigência para conquistas em 2021 – apenas citando um time que parece ser o que sai na frente para tal. Para nós, muita festa. Para diretoria, comissão técnica e jogadores, festa sabendo que o desafio será muito maior! SRN e muita cerveja para comemorar esse título. Com tudo que rolou, o saldo ainda é positivo em 2020.